Organizando o Tempo Emocional

Quando pensamos em tempo, pensamos no tempo que vivemos, nas 24 horas que o dia possui. É interessante notar, no entanto, que nem sempre nos damos conta desse tempo. Todos temos disponíveis as mesmas 24 horas, independente da condição financeira ou profissão, da mesma forma, todos temos em uma semana, 168 horas. Dessas horas, em média 5 a 8 são utilizadas para dormir, ou seja 35 a 40 horas da semana são destinadas com essa função essencial; com higiene básica em geral consideremos uma média diária de 2 horas para banho e vestuário e mais 2 horas para banheiro, somando assim, mais de 28 horas semanais; para alimentação consideremos mais 2 horas/ dia, ou seja, mais 14 horas semanais. Somente com esses números, para se manter viva, uma pessoa utiliza 13 das 24 horas que o dia possui. Desta forma, 13 x 7 = 91 horas semanais para nos mantermos vivos.

Em transporte durante a semana, pensemos em 6 horas. São, portanto, 97 horas das 168, apenas para funções básicas e essenciais, isso constitui, aproximadamente, 58% da nossa semana. Sobraram 71 horas, dessas 8h/5 dias na semana são destinadas ao trabalho, ou seja, 40 horas. Então permanecem 31 horas livres, e dentro desse período, ainda existe a necessidade de estudar, estar com família, amigos, namorado (a), de fato 23 horas são, aproximadamente 4 horas por dia, que eu tenho disponíveis para todas essas áreas que ainda não foram contabilizadas.

Este é planejamento do tempo racional, e nos mostra o porquê de as coisas parecerem tão apertadas, porque de fato são. É importante fazer esta soma e perceber de onde se tira o tempo quando falta, de dormir ou comer? O quanto é possível otimizar seu tempo?

Com as horas que temos, é essencial, priorizar para poder focar naquilo que é mais importante para nós. O tempo emocional é como eu estruturo meu tempo para viver ele naquilo que eu preciso emocionalmente. Algumas pessoas utilizam esse tempo para o isolamento de forma positiva: em meditação, para criação, estudos, fazer atividades manuais. Efetivamente esse tipo de atividade não trás reconhecimento por parte do outro, apenas trata-se do seu adulto dizendo para a criança interior que esse tempo é bom e necessário.

Existe também, o isolamento em sua forma negativa: quando me retraio sem ter contato com os outros, sem fazer nada, criando teorias ruins sobre o que vai acontecer, demonstro rebeldia ou submissão quando entre nesse tipo de padrão. Outras pessoas estruturam seu tempo para realizar rituais de forma positiva (tudo que tem começo, meio e fim, e apresenta ordem repetitiva): cerimônias, preces e atividades correlatas. O reconhecimento desse tipo de atividade também é pequeno, pois muitas vezes aquele para o qual o ritual é direcionado não irá responder, como cerimônias para a lua, por exemplo. Rituais de forma negativa são: compulsões, rotinas burocráticas, sacrifícios. Não trazem reconhecimento ou se trazem é um reconhecimento inadequado, surge geralmente com sentimentos de rebeldia ou submissão.

Outra maneira de estruturar o tempo, é para realizar atividades em sua forma positiva: trabalho, diversão, estudos. Traz reconhecimento positivo, o trabalho, por exemplo, é estimulado e reconhecido, de mesma forma ao falar que não se tem tempo por causa do trabalho, traz compreensão, carinho dos demais.

Atividades em sua forma negativa são quando: cometo delitos, vinganças. Vingança, por exemplo, gasta muito tempo podendo ser por anos, o reconhecimento trazido é, em geral, extremamente negativo. O tempo também pode ser estruturado com passatempos positivos: conversas sociais, manter bom relacionamento. Traz reconhecimento emocional, que nos faz sentir vivos e participantes. O brasileiro, estatisticamente, rende menos no trabalho, pois gasta parte significante do seu tempo em suas relações sociais.

Quando estou realizando algo no meu tempo emocional há conflito com quem está no tempo racional, pois se você deseja ter uma troca, conversa e a outra pessoa só está realizando uma atividade, seja seu trabalho que pode ser de te atender, ou estar na fila, muitas vezes há desconforto.

Também existem os passatempos negativos: intrigas, queixas, reclamações, jogos psicológicos. Que trazem um reconhecimento muito grande, porém não positivo. Os jogos psicológicos evitam a intimidade e me permitem não ter que falar diretamente as coisas, ao invés de falar que estou chateada com uma ação de um namorado(a), eu sou frio e ácido, isso não traz intimidada à relação e ao invés de aproveitar o pouco tempo racional disponível, gasto tempo e torno a relação conflituosa. Não há nenhum reconhecimento positivo nos jogos psicológicos, porém todos os reconhecimentos negativos.

Por fim, o tempo pode ser estruturado a partir da intimidade positiva: afeto, proteção, compaixão, criação conjunta. Quando falamos sobre aquilo com a qual possuímos desconforto, oferecer apoio, pedir apoio. Traz reconhecimento ou carícias incondicionais, não deve ser confundido com o jogo, não ligar para quem gosta de mim ou ligar para quem não gosta, não é intimidade. A intimidade negativa ocorre através: do sadismo e do masoquismo. A dominação é um jogo, e traz reconhecimento negativo.

A dificuldade entre alinhar o tempo emocional com o racional é grande, mas é o nosso objetivo. É essencial sempre avaliar como estamos gastando o nosso tempo, para podermos buscar um alinhamento entre aquilo que eu gosto emocionalmente e preciso fazer racionalmente.

O autoconhecimento é muito importante, saber qual hora do dia rende-se mais, perceber se está renunciando a algo essencial, fazer planejamentos adequados. Pensar o que pode ser feito para que os objetivos e realizações sejam atingidos, manter boa relação com a família, passar tempo com os amigos, planejar uma viagem, para isso, é necessário cuidar para não estruturar o tempo de uma forma negativa, porque isso ao invés, de aproximar dos seus objetivos, distancia.

Quais são meus “gastos” fixos que eu preciso usar meu racional? Sobrevivência é inegociável e planejar semanalmente para isso a partir das horas. Como irei distribuir as horas restantes nos 7 dias semanas, quanto desejo dedicar ao meu trabalho formal? À doação, isso é importante para mim? Quanto que vou usar com a minha família de origem (avós, pais, irmãos)? Quanto tempo vou usar para minha família atual (marido, esposa, filhos)? Quanto tempo vou usar para meus amigos? Quanto tempo dedicarei para estudos, esportes, lazer, hobbies, espiritualidade? Se eu gasto muito do meu tempo com jogos, evitando intimidade, ou me retraindo, como vou fazer tudo que desejo?

Te provoco a reavaliar como você gasta o seu tempo e o quanto isso influencia nas suas relações, de você com você mesmo, e com os outros. Se faço muito pelos outros, estou renunciando ao tempo para mim, o que facilmente pode virar autoabandono e pode gerar a perda de perspectiva de vida. Cuide de você e gerencie seu tempo racional e emocional!

Abraços,
Regina Silva

Assista nossa Live, realizada dia 03/03/21.

Daniela

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